O uso de animais no controle de qualidade de vacinas veterinárias caiu no Reino Unido na última década. Dados divulgados em 24 de setembro de 2026 pelo Department for Environment, Food and Rural Affairs e pela Veterinary Medicines Directorate mostram que o número médio de animais usados para liberar cada lote diminuiu de 29, em 2013, para 17, em 2024.
A queda representa uma redução de 41% na média por lote. No mesmo período, o uso total de animais nesse tipo de controle caiu 29%, mesmo com o aumento da quantidade de vacinas liberadas no mercado britânico. O levantamento também aponta que a parcela de vacinas veterinárias comercializadas no Reino Unido que ainda exige algum teste com animais passou de 74% para 34%.
Menos animais no controle de qualidade
O controle de qualidade é realizado antes que lotes de produtos imunológicos veterinários sejam disponibilizados. A análise dos dados considera procedimentos usados para verificar se as vacinas atendem aos requisitos regulatórios. Segundo o governo britânico, a redução está relacionada ao desenvolvimento de métodos alternativos e à atualização das exigências aplicáveis à liberação dos produtos.
A mudança não significa que o controle sanitário tenha sido abandonado ou que todos os testes com animais tenham sido eliminados. A proposta apresentada pelas autoridades é substituir procedimentos tradicionais quando houver alternativas consideradas adequadas do ponto de vista científico, mantendo os requisitos de segurança, eficácia e qualidade das vacinas veterinárias.
O relatório indica ainda que cães, gatos, cavalos, perus e pombos deixaram de ser necessários em testes rotineiros de controle de qualidade. A informação é relevante para o debate sobre bem-estar animal, porque mostra uma redução específica no uso desses animais em procedimentos associados à liberação de lotes de vacinas e outros produtos imunológicos.
Substituição ainda não é possível em todos os produtos
Apesar do avanço, a substituição completa dos testes com animais ainda enfrenta limitações técnicas. De acordo com o comunicado oficial do governo do Reino Unido, alguns produtos continuam apresentando desafios para a adoção de métodos sem animais.
Entre os exemplos estão determinadas vacinas clostridiais e vacinas destinadas a peixes. Nesses casos, os procedimentos alternativos ainda não podem ser aplicados de forma ampla para todas as necessidades de controle. Por isso, a redução registrada no período não deve ser interpretada como o fim do uso de animais em toda a produção ou avaliação de vacinas veterinárias.
O relatório da Veterinary Medicines Directorate reúne dados de 2013 a 2024 sobre o uso de animais em testes de controle de qualidade para a liberação de produtos imunológicos veterinários. A publicação permite acompanhar tanto a queda no número médio de animais por lote quanto a evolução da proporção de vacinas que ainda dependem desses procedimentos no Reino Unido.
O que os dados significam para cães e gatos
Para tutores de cães e gatos, o tema está relacionado à busca por vacinas seguras e eficazes com menor dependência de procedimentos que utilizem animais. A redução observada no Reino Unido ocorre dentro de um sistema regulatório que continua exigindo verificações de qualidade antes da comercialização dos produtos.
Assim, a diminuição dos testes em animais não representa uma flexibilização das regras sanitárias. O objetivo é utilizar métodos alternativos sempre que eles forem capazes de atender às exigências de avaliação. Ao mesmo tempo, os dados mostram que ainda existem categorias de vacinas para as quais a substituição permanece tecnicamente difícil.
O caso britânico também evidencia que mudanças regulatórias e avanços científicos podem alterar a forma como vacinas veterinárias são avaliadas. Entre 2013 e 2024, o país registrou menos animais usados por lote, menor uso total nesse tipo de controle e uma redução expressiva na proporção de vacinas que ainda exigem testes com animais.
Os números, porém, dizem respeito ao Reino Unido e ao período analisado pela Veterinary Medicines Directorate. Eles não indicam automaticamente como são realizados os controles em outros países, incluindo o Brasil. A principal conclusão do levantamento é que a redução do uso de animais avançou, mas a substituição ainda não é universal para todos os produtos veterinários.

