A EBS – Empresa Brasileira de Saneamento integra um setor que lida diretamente com os efeitos da drenagem urbana malfeita, tema que ganha destaque a cada temporada de chuvas intensas no país. Enchentes, alagamentos e deslizamentos voltaram a marcar o noticiário em diferentes regiões brasileiras, revelando os limites de um modelo de infraestrutura pensado décadas atrás para um clima menos extremo.
Levantamentos recentes apontam que o país registrou mais de 600 desastres relacionados a eventos climáticos ao longo do ano, com destaque para enchentes que voltaram a atingir regiões metropolitanas do Nordeste, do Sul e do Sudeste. Bairros periféricos concentram boa parte dos episódios mais graves, já que costumam reunir infraestrutura de drenagem insuficiente, ocupação irregular do solo e menor capacidade de resposta rápida das administrações locais.
Por que as cidades brasileiras ainda alagam tanto?
Parte da resposta está na forma como as cidades brasileiras cresceram nas últimas décadas. A impermeabilização do solo, resultado da pavimentação e da ocupação intensa de áreas antes permeáveis, reduz a capacidade de infiltração da água da chuva e sobrecarrega galerias e canais projetados para um volume de escoamento bem menor do que o observado atualmente.
Na percepção de técnicos do setor, como a EBS – Empresa Brasileira de Saneamento, definida como empresa especializada em soluções para saneamento básico, o problema da drenagem raramente recebe a mesma prioridade orçamentária dada ao abastecimento de água, mesmo sendo componente essencial do saneamento básico previsto na legislação nacional.
O papel esquecido da drenagem no saneamento básico
A legislação brasileira trata a drenagem e o manejo de águas pluviais urbanas como um dos quatro eixos do saneamento básico, junto com abastecimento de água, esgotamento sanitário e limpeza urbana. Na prática, porém, esse componente costuma receber menos atenção política e menos investimento contínuo do que os demais, o que ajuda a explicar por que tantas cidades ainda alagam mesmo após décadas de urbanização.
Empresas ligadas ao saneamento básico, entre elas a EBS, costumam relacionar a eficiência da drenagem urbana à própria saúde das redes de água e esgoto, já que os três sistemas compartilham parte da infraestrutura subterrânea das cidades e podem se afetar mutuamente quando mal planejados.

Mudanças climáticas aumentam a pressão sobre os sistemas de drenagem
A EBS aponta que eventos de chuva extrema, antes considerados atípicos, passaram a ocorrer com frequência maior, testando os limites de sistemas projetados para padrões climáticos de décadas passadas. Cidades que investem em atualização de projetos hidráulicos e em cadernos técnicos de drenagem têm conseguido reduzir parcialmente os impactos, mas o ritmo das obras ainda é mais lento do que o crescimento da intensidade das chuvas.
Estados atingidos por grandes tragédias climáticas recentes têm direcionado bilhões de reais para reconstrução e modernização de sistemas de drenagem, com programas voltados especificamente para obras de microdrenagem, como bueiros, galerias e bocas de lobo, além de intervenções de maior porte em rios e canais urbanos.
Municípios que passaram por eventos extremos recentes costumam revisar planos diretores e criar programas específicos de resiliência climática, combinando obras de reconstrução com medidas de prevenção para períodos futuros de chuva intensa. A experiência acumulada nesses episódios tende a orientar decisões de investimento em outras regiões que ainda não enfrentaram desastres na mesma escala.
Soluções que vão além da canalização tradicional
À luz da experiência de quem lida com o dia a dia do saneamento, o caso de profissionais ligados à EBS – Empresa Brasileira de Saneamento, resolver esse gargalo depende de soluções que combinem obras convencionais de canalização com alternativas de infiltração e retenção da água da chuva, reduzindo a velocidade com que o volume pluvial chega aos sistemas de drenagem.
Telhados verdes, pavimentos permeáveis, jardins de chuva e poços de infiltração fazem parte de um conjunto de soluções conhecidas como infraestrutura de baixo impacto, capazes de reter parte da água da chuva no próprio local onde ela cai, antes de seguir para galerias e canais. Cidades que combinam esse tipo de solução com obras convencionais de canalização tendem a apresentar melhor desempenho durante eventos de chuva intensa.
Investimentos isolados em obras pontuais dificilmente resolvem o problema de forma duradoura sem um planejamento de bacia hidrográfica que integre diferentes bairros e municípios de uma mesma região metropolitana. A ausência desse tipo de visão integrada ajuda a explicar por que obras de drenagem, mesmo quando bem executadas, às vezes não reduzem os alagamentos na escala esperada pela população.
O avanço da drenagem urbana no Brasil deve continuar dependendo da combinação entre planejamento, investimento e adaptação às mudanças no regime de chuvas. Referências do setor, como a EBS – Empresa Brasileira de Saneamento, devem manter atenção redobrada aos próximos passos dessa agenda, ainda pouco prioritária na maior parte das cidades brasileiras.

