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Julho também é mês de aumento no abandono de animais no Brasil

Diego VelázquezDiego Velázquezjulho 8, 20266 Mins de leitura
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Enquanto uma parte dos tutores brasileiros planeja hospedagem especializada para os pets durante as férias, outra parcela da população acaba tomando a decisão oposta: abandonar o animal antes de viajar. Levantamentos do setor mostram que durante os meses de férias, como dezembro, janeiro e julho, o aumento de abandonos é evidente, com a grande maioria das ONGs e protetores relatando crescimento significativo nesses períodos. O contraste entre esses dois comportamentos, o cuidado reforçado de um lado e o descarte do outro, ajuda a ilustrar como o Brasil ainda enfrenta um problema estrutural na forma como parte da população encara a responsabilidade de ter um animal de estimação. CicloVivo

Números que mostram a dimensão do problema

A escala do abandono no país impressiona mesmo quem acompanha o tema de perto. De acordo com estimativas amplamente citadas por veículos de imprensa, o Brasil possui cerca de 30 milhões de animais abandonados, número que segue estável desde o início da década e evidencia que o país ainda enfrenta dificuldades para combater o problema de forma efetiva. Outros levantamentos, como o realizado pelo Instituto Pet Brasil, trazem uma metodologia diferente e apontam para 4,8 milhões de cães e gatos vivendo em situação de vulnerabilidade no país, número que inclui animais abandonados ou sem tutela definida. A diferença entre os números reflete metodologias distintas de pesquisa, mas o diagnóstico geral converge: o abandono continua sendo um dos maiores desafios do bem-estar animal no Brasil. InstitutoamparanimalJornal da USP

As principais causas por trás da decisão de abandonar

Entender por que tutores chegam a esse ponto ajuda a pensar em soluções mais eficazes de prevenção. Uma pesquisa destacada por veículos especializados no tema pet apontou que os motivos mais citados envolvem problemas comportamentais do animal, mudanças na disponibilidade de espaço ou nas regras de convivência da residência e incompatibilidade entre o estilo de vida do tutor e os cuidados necessários com o pet, além da diferença entre a expectativa criada no momento da adoção e a realidade do dia a dia. Para a médica veterinária Ana Lucia Baldan, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da USP, o abandono é multifatorial, mas está fortemente associado à adoção ou à aquisição sem planejamento, já que muitas pessoas decidem levar um animal para casa por impulso, sem considerar antes o tempo, o custo e as mudanças de rotina que essa decisão exige. Jornal da USP

Adoção por impulso é um dos principais gatilhos

A pesquisadora da USP reforça que grande parte dos casos de abandono nasce ainda no momento da adoção, quando a decisão é tomada sem reflexão suficiente sobre o que a convivência com o animal realmente significa. Segundo ela, esse tipo de escolha impulsiva tende a gerar frustração assim que surgem as primeiras dificuldades no convívio diário, como gastos inesperados com alimentação e veterinário, necessidade de adaptar a rotina de trabalho ou lidar com comportamentos que o tutor não estava preparado para enfrentar. Esse padrão reforça a importância de campanhas educativas que incentivem uma reflexão mais cuidadosa antes da adoção, e não apenas no momento de resgatar ou reintegrar um animal já abandonado.

Onde e como o abandono acontece com mais frequência

Os dados disponíveis também ajudam a entender o perfil geográfico do problema. Segundo uma pesquisa nacional sobre o tema, realizada de forma consecutiva ao longo dos últimos anos, quase 83% dos abandonos acontece em áreas urbanas, sendo que a maioria dos casos ocorre em vias públicas, o que representa mais de três quartos das ocorrências registradas. O mesmo levantamento aponta que cães são as principais vítimas, especialmente filhotes, que costumam ser abandonados logo após crescerem e perderem parte do apelo estético que motivou a adoção por impulso. Metrópoles

O impacto emocional e comportamental sobre o animal abandonado

Para além dos riscos físicos como fome, doenças e acidentes, o abandono deixa marcas duradouras no comportamento do animal. Segundo relatos de profissionais que atuam em organizações de resgate, o abandono compromete o comportamento do animal e pode dificultar processos de socialização e futuras adoções, já que muitos passam a demonstrar medo, desconfiança ou reatividade diante de pessoas e outros animais. Esse dano comportamental exige, em muitos casos, um trabalho de reabilitação mais longo por parte das ONGs antes que o animal esteja pronto para uma nova adoção responsável, o que aumenta ainda mais a pressão sobre organizações que já operam no limite da capacidade.

Deixar o animal em uma ONG também pode ser uma forma de abandono

Um equívoco comum entre tutores é acreditar que entregar o pet a uma organização de proteção animal resolve o problema sem configurar abandono. Diretoras de ONGs consultadas pela imprensa reforçam que muitas pessoas acreditam que, ao deixar o animal na porta da instituição ou pedir ajuda informalmente, estão resolvendo a situação, mas essa prática também representa uma forma de abandono, já que sobrecarrega organizações que dependem quase exclusivamente de doações e trabalho voluntário para funcionar. Essa sobrecarga reduz a capacidade de resgate e atendimento das ONGs, criando um ciclo em que cada vez mais animais ficam sem destino adequado.

O papel das campanhas de conscientização como o Dezembro Verde

Diante desse cenário, campanhas nacionais de conscientização buscam reduzir os índices de abandono ao longo do ano, com destaque para períodos de maior risco, como o fim de ano e as férias escolares de julho. Essas iniciativas trabalham para reforçar que a adoção de um animal é um compromisso de longo prazo, que envolve gastos recorrentes com alimentação, vacinação, castração e cuidados veterinários, e não uma decisão que deve ser tomada de forma impulsiva. A denúncia de casos de abandono também é apontada como uma ferramenta importante, já que o abandono é crime previsto em lei no Brasil e a responsabilização dos autores depende do registro formal das ocorrências pelas autoridades competentes.

Alternativas para quem não pode viajar com o pet

Para quem está pensando em viajar e não tem condições de levar o animal junto, existem alternativas responsáveis que evitam o abandono e garantem o bem-estar do pet. Hotéis e creches especializados, já mencionados como uma tendência em crescimento no país, são uma opção viável para famílias que buscam segurança e acompanhamento profissional durante a ausência. Outra alternativa é contar com um cuidador de confiança, que possa manter o animal em seu ambiente habitual, reduzindo o estresse de uma mudança de local, especialmente no caso de gatos, que costumam ser mais sensíveis a alterações de rotina e território.

Antes de adotar, é preciso pensar a longo prazo

O caminho mais eficaz para reduzir os índices de abandono no Brasil passa por uma mudança de mentalidade antes mesmo da adoção acontecer. Avaliar com calma se há tempo, espaço, recursos financeiros e disposição para conviver com as particularidades de comportamento de cada espécie é um passo fundamental para evitar que a decisão se transforme em frustração meses ou anos depois. Especialistas reforçam que a adoção responsável não termina no momento em que o animal chega em casa, mas se estende por toda a vida do pet, o que exige planejamento e comprometimento contínuo por parte de quem decide dar esse passo.

Fontes consultadas:

  • Instituto Ampara Animal: https://institutoamparanimal.org.br/estatisticas-abandono-animais-brasil/
  • Jornal da USP: https://jornal.usp.br/campus-ribeirao-preto/abandono-de-animais-segue-alarmante-no-brasil/
  • Metrópoles: https://www.metropoles.com/colunas/e-o-bicho/brasil-tem-30-milhoes-de-animais-abandonados-nas-ruas-revela-pesquisa
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