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Como identificar depressão, ansiedade e estresse em cães e gatos?

Diego VelázquezDiego Velázquezjaneiro 15, 20245 Mins Read
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Quando o isolamento social se fez necessário, o vínculo com animais de estimação se mostrou um importante aliado na busca por equilíbrio emocional. Uma pesquisa realizada pela UIPA (União Internacional Protetora dos Animais) evidenciou um aumento de 400% na procura por adoção de animais durante a pandemia de Covid-19. Estar na companhia de cães e gatos não só reduz a sensação de solidão, como eleva os níveis de serotonina e dopamina, responsáveis pela sensação de bem-estar e relaxamento. Hoje, inúmeros estudos comprovam que pets podem auxiliar no tratamento de quadros de depressão, ansiedade e estresse em humanos. Paralelamente a isso, questões relacionadas à saúde mental dos animais têm ganhado força.

Por muitos anos, os estigmas relacionados ao sofrimento psíquico afastaram as pessoas da busca por acompanhamento profissional. Esta falta de um debate transparente sobre saúde mental também impede que tutores reconheçam sinais de desequilíbrio emocional em seus animais. Segundo Monique Rodrigues, veterinária e CEO da Clinicão, antigamente este contato direto com os pets era feito apenas pelo médico-veterinário clínico, de forma macro. Uma prova que avançamos nesta discussão é a especialização de médicos-veterinários comportamentalistas, profissionais especializados no diagnóstico, tratamento e prevenção de distúrbios de comportamentos.

“Esta questão passou a ser mais estudada e atual. Por ter essa especialização, tais profissionais conseguem identificar problemas a partir de reações comportamentais dos animais, agindo diante dessas causas”, comenta Monique, ressaltando que outros profissionais como os adestradores são aliados na busca por melhores condições de vida para os pets, contribuindo na melhora comportamental e consequentemente da saúde.

Alterações de endereço, viagem de familiares, horas de solidão em casa e até a chegada de novos pets ou bebês podem gerar um impacto emocional (Foto: reprodução)
Uma aparente via de mão dupla: enquanto os animais contribuem para a manutenção da saúde mental dos seres humanos, seus tutores precisam proporcionar a qualidade de vida necessária para estes animais. Muitas vezes, são as próprias demandas do cuidado que afetam positivamente no psicológico do indivíduo. Levar para passear, fazer atividade física, tomar sol e brincar exigem que o tutor se coloque em uma postura ativa diante da vida, ainda que pelo seu pet. O contrário também acontece: quando a depressão bate à porta e nada é capaz de mudar este quadro, muito provavelmente este estado emocional também afetará o animal.

Para além disso, Monique Rodrigues evidencia que mudanças na rotina, como alterações de endereço, viagem de familiares, horas de solidão em casa e até a chegada de novos pets ou bebês podem gerar um impacto emocional significativo. “Situações em que cães, por exemplo, não tenham interações com humanos ou mesmo com outros pets, podem experimentar emoções negativas como tristeza, medo, angústia, etc. Além disso, traumas vivenciados também podem interferir no comportamento”, revela.

A mudança de comportamento é o indicativo principal de desequilíbrio mental. A veterinária alerta que é importante observar alterações no apetite, perda de interesse por atividades que gostavam anteriormente, excesso de lambeduras, agressividade ou sono excessivo. Lembrando que, para isso, é fundamental ter como referência o comportamento natural da espécie (etologia). “Apesar de serem mais independentes, os gatos assim como os cães também apresentam comportamentos incomuns em estados de depressão, ansiedade ou estresse. É extremamente importante que os responsáveis pelos pets estejam atentos”.

Identificando os sintomas
A veterinária alerta para os sinais de depressão: “Falta de apetite, sonolência em excesso, lambedura ou coceira excessiva, olhar triste, não querer brincar (apatia), movimentos repetitivos. Em gatos, destacamos: miados constantes, comportamento arisco ou estado de isolamento/reclusão. Vale enfatizar que cada animal responde diferentemente ao sintoma depressivo”.

Falta de apetite, sonolência em excesso, lambedura ou coceira excessiva, olhar triste, não querer brincar (apatia), movimentos repetitivos, entre outros, são sinais de depressão (Foto: reprodução)
Já a ansiedade, se manifesta nos animais de forma similar a dos humanos. “Assim como para nós trata-se de uma situação constante de medo ou preocupação excessiva em relação ao futuro, a ansiedade deixa os pets em estado de alerta e em constante estímulo de estresse. Portanto, situações de instabilidade na rotina dos animaizinhos não são positivas para eles.” Segundo Monique, os principais sintomas de ansiedade são: agressividade, postura submissa (andar acanhado ou se abaixar quando for tocado pelo seu dono), falta de apetite, medo sem motivo aparente, lambedura excessiva das patas, choros frequentes, alterações de padrão do sono, etc.

Outro distúrbio que acomete os animais é o estresse. Mais uma vez, a análise da linguagem corporal é fundamental para o diagnóstico. Alguns alertas podem ser verificados em situações quando: o cachorro ou gato fica mais carente e tenta chamar a atenção do tutor, apresenta nervosismo, hiperatividade, coceira, comportamento destrutivo, desânimo, latido excessivo, pupila dilatada, ofegação, lambeduras excessivas, alongamentos desnecessários, falta de apetite, dentre outros.

Uma vez reconhecidos os sintomas, o primeiro passo para um tratamento adequado é alterar a situação para uma rotina mais saudável para o animal, com dieta adequada, fazer passeios regulares e claro oferecer carinho, amor e atenção. Também pode ser importante levar o pet para profissionais especializados como médicos-veterinários comportamentalistas ou mesmo adestradores. A partir do diagnóstico, os especialistas direcionarão o animal ao tratamento mais eficaz de acordo com o quadro observado.

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