Um grupo de trabalho criado pelo Departamento de Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais do Reino Unido, conhecido como Defra, publicou em 24 de setembro de 2026 uma revisão independente com 20 recomendações para melhorar a posse responsável de cães e reduzir ataques no país. O documento tem como foco a Inglaterra e o País de Gales e, neste momento, não representa uma nova lei nem determina mudanças imediatas para os tutores.
As propostas foram elaboradas por representantes de órgãos públicos, forças de segurança, entidades de proteção animal e do setor veterinário. O objetivo é reunir diferentes áreas envolvidas na prevenção de incidentes, no bem-estar dos animais e na orientação de pessoas que convivem com cães. O relatório está disponível no GOV.UK, portal oficial do governo britânico.
Recomendações envolvem dados, fiscalização e educação
As 20 recomendações foram organizadas em quatro frentes principais: coleta e compartilhamento de dados, fiscalização, educação e comunicação, além de treinamento de cães e tutores. Entre as medidas sugeridas está a criação de uma obrigação legal para que as autoridades registrem ocorrências envolvendo cães de maneira mais consistente.
O grupo também recomenda estudar a criação de um banco de dados específico para esses incidentes e melhorar as informações hospitalares sobre mordidas. Segundo o relatório, registros mais completos poderiam ajudar a identificar padrões, orientar políticas públicas e apoiar ações preventivas em diferentes regiões. A proposta ainda depende de avaliação e eventual implementação pelas autoridades competentes.
Na área de fiscalização, o documento sugere analisar possíveis exigências legais para a posse de cães, considerar regras específicas para passeadores profissionais e fortalecer a atuação preventiva dos órgãos responsáveis. Também está prevista a atualização das orientações destinadas aos agentes que lidam com ocorrências e situações de risco.
Prevenção começa antes dos incidentes
Outra recomendação é a criação de um plano de educação infantil sobre interações seguras com cães. A ideia é ampliar o conhecimento de crianças e famílias sobre a maneira adequada de se aproximar, brincar e conviver com os animais, reduzindo situações de medo, provocação ou interpretação equivocada dos sinais emitidos pelo cão.
O relatório também defende campanhas voltadas a adultos e tutores. As mensagens devem abordar temas como supervisão, socialização, treinamento e leitura da linguagem corporal canina. Para o grupo de trabalho, a prevenção não depende apenas da punição após uma infração, mas também do acesso a informações claras antes que um comportamento de risco se transforme em ataque ou mordida.
Na frente relacionada ao comportamento animal, o documento propõe estudar alternativas para regulamentar treinadores e especialistas em comportamento. O grupo também recomenda ampliar a adesão a cursos de conscientização e desenvolver orientações mais objetivas para que os tutores entendam suas responsabilidades no manejo cotidiano dos cães.
Crescimento da população de cães amplia o desafio
O levantamento cita uma estimativa de crescimento da população canina no Reino Unido, de 8,2 milhões de animais em 2011 para 11,1 milhões em 2025. O relatório também menciona pesquisas da organização PDSA segundo as quais profissionais veterinários observaram aumento de problemas comportamentais em cães nos últimos anos.
Esses dados são apresentados como parte do contexto para a discussão sobre prevenção, acompanhamento de ocorrências e orientação aos responsáveis. O documento não atribui os incidentes a uma única causa. Em vez disso, destaca fatores como criação, socialização, treinamento, ambiente, supervisão e capacidade dos tutores de interpretar os sinais apresentados pelos animais.
O grupo ressalta ainda que as recomendações devem ser consideradas para cães de todas as raças. A abordagem procura evitar generalizações e concentrar a análise nas condições de manejo, no comportamento individual e na responsabilidade dos adultos durante a convivência entre animais, crianças e outras pessoas.
Propostas ainda não mudam as regras para tutores
Apesar de reunir 20 medidas, o relatório não anuncia uma legislação aprovada nem estabelece obrigações imediatas para os tutores britânicos. As recomendações deverão ser avaliadas pelo governo e por outras autoridades antes de qualquer decisão sobre regulamentação, fiscalização ou criação de novos sistemas de registro.
Para o público brasileiro, o caso oferece um exemplo de como governos podem discutir segurança, bem-estar animal e posse responsável de cães de forma integrada. Temas como registro de incidentes, treinamento, orientação profissional, educação de crianças e cooperação entre saúde, segurança e proteção animal também podem ser relevantes em outros países, ainda que as regras e instituições sejam diferentes.
O conteúdo completo das propostas está no relatório da força-tarefa sobre posse responsável de cães. A publicação reforça que reduzir ataques exige medidas combinadas de prevenção, informação, supervisão e atuação pública, e não apenas respostas depois que um incidente acontece.

