Um caso de raiva em cães foi confirmado em agosto de 2026 no bairro de Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Segundo informações divulgadas pela Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro e repercutidas pela Agência Brasil, o animal tinha histórico de contato com morcegos.
O cão precisou ser submetido à eutanásia após a confirmação do diagnóstico. As pessoas que tiveram contato com o animal receberam profilaxia antirrábica e passaram a ser monitoradas. Até a divulgação das informações, não havia registro de raiva humana relacionado ao episódio.
O alerta foi divulgado pela autoridade estadual em 18 de setembro e noticiado pela Agência Brasil em 21 de setembro. O caso chama a atenção para a necessidade de manter a vacinação de cães e gatos em dia e de evitar o contato direto com morcegos ou outros animais silvestres, inclusive quando eles aparentam estar mortos.
Por que o contato com morcegos exige cuidado
A raiva é uma doença grave que pode atingir mamíferos, incluindo animais domésticos e seres humanos. De acordo com o Ministério da Saúde, cães e gatos continuam suscetíveis à infecção por variantes do vírus associadas a morcegos e a outros animais silvestres.
Isso significa que o controle das variantes tradicionalmente relacionadas à transmissão urbana não elimina a necessidade de vigilância. A circulação de variantes silvestres pode levar o vírus a áreas urbanas e periurbanas por meio do contato entre animais domésticos e a fauna nativa. Por essa razão, um cão ou gato que tenha tido contato com morcego deve ser avaliado pelos serviços de saúde e de vigilância responsáveis no município.
Tutores não devem tocar em morcegos encontrados no chão, mortos ou com comportamento incomum. Também é importante evitar que cães e gatos se aproximem desses animais. Caso ocorra contato, a recomendação é não tentar capturar o morcego com as mãos e procurar orientação das autoridades locais, além de buscar atendimento veterinário para o animal exposto.
Vacinação continua sendo a principal prevenção
A vacinação antirrábica protege cães e gatos e faz parte das medidas de prevenção recomendadas pelas autoridades sanitárias. A aplicação deve seguir a orientação dos serviços de saúde animal e do médico-veterinário responsável, de acordo com as campanhas e os protocolos vigentes em cada localidade.
O Ministério da Saúde informou que o Brasil completou, em 2026, dez anos sem registros de raiva humana transmitida pelas variantes clássicas de cães. O dado representa um avanço no controle da transmissão urbana, mas não significa que o risco tenha desaparecido, especialmente diante da circulação de variantes associadas a morcegos.
Até junho de 2026, o Ministério da Saúde havia registrado seis casos de raiva em cães envolvendo variantes de animais silvestres. O número se refere exclusivamente ao período informado pela pasta e não deve ser interpretado como uma estimativa para todo o ano ou como evidência de surto nacional.
O que fazer após mordida, arranhadura ou contato com saliva
Pessoas que forem mordidas ou arranhadas por um cão, gato, morcego ou outro mamífero devem lavar o local imediatamente com água e sabão e procurar uma unidade de saúde. A avaliação profissional define a necessidade de profilaxia antirrábica, que pode incluir vacinação e outras medidas conforme o tipo de exposição e as condições do animal envolvido.
Também é necessário buscar atendimento quando a saliva de um animal entra em contato com ferimentos ou mucosas. O tutor deve informar, com o máximo de precisão possível, qual animal esteve envolvido, quando ocorreu o contato e se há possibilidade de acompanhamento. Não se deve esperar o surgimento de sinais para procurar assistência, porque a prevenção precisa ser iniciada após a exposição, conforme avaliação dos profissionais de saúde.
Nos animais, alterações de comportamento e outras manifestações suspeitas exigem atenção, mas não permitem confirmar a doença por observação doméstica. Um cão ou gato que apresente comportamento incomum após contato com morcego deve ser mantido afastado de pessoas e de outros animais, sem manipulação desnecessária, até receber orientação veterinária e das autoridades de vigilância.
Alerta reforçado antes do Dia Mundial contra a Raiva
O caso no Rio de Janeiro foi divulgado poucos dias antes do Dia Mundial contra a Raiva, celebrado em 28 de setembro. Para 2026, a Organização Mundial de Saúde Animal definiu o tema “Stronger together”, expressão que destaca a atuação conjunta de comunidades, profissionais veterinários e governos na prevenção da doença.
Para os tutores, as medidas mais importantes são manter a vacinação de cães e gatos atualizada, impedir o contato com morcegos e animais silvestres, não tocar em animais encontrados mortos ou com comportamento alterado e procurar atendimento rapidamente após qualquer exposição. A prevenção reduz riscos sem transformar um caso localizado em motivo para alarmismo.

