Alfredo Moreira Filho, empresário radicado em Brasília desde 1986, manteve por 25 anos um grupo informal de voleibol que reunia pessoas de diferentes origens e profissões, experiência que ilustra um contraste bem conhecido por quem já viveu ambos os contextos: amizades construídas em torno de esporte tendem a durar mais do que as construídas dentro de ambientes corporativos.
O ambiente de trabalho cria proximidade, não necessariamente vínculo
Colegas de trabalho compartilham metas, reuniões e pressões do dia a dia, condições que criam familiaridade e até afeto genuíno, mas que dependem de um contexto externo para existir. Quando alguém muda de empresa, parte da relação costuma ir junto, porque o pretexto que mantinha o contato regular simplesmente desaparece junto com o cargo ou a equipe compartilhada.
Relacionamentos profissionais tendem a ser funcionais por natureza: existem enquanto servem a um propósito comum dentro de uma estrutura organizacional. Alfredo Moreira Filho certamente percebeu esse contraste ao longo de décadas transitando entre diferentes ambientes profissionais. Fora dela, a maioria não sobrevive à ausência do pretexto original que os criou, diferença fundamental em relação ao que acontece em grupos esportivos bem consolidados ao longo do tempo.
O que o esporte oferece que o trabalho não consegue replicar?
Grupos esportivos informais criam condições muito diferentes: o encontro é regular, mas voluntário; o objetivo é lúdico, não instrumental; e a participação não depende de hierarquia, cargo ou resultado profissional de nenhum dos membros envolvidos. Todas essas características juntas produzem um tipo de convivência que o ambiente corporativo raramente consegue replicar por conta própria.
A ausência de hierarquia é especialmente relevante. Em uma pelada de vôlei, o diretor e o analista dividem a mesma quadra em condições de igualdade, situação que nivela as relações e cria espaço para um tipo de autenticidade que a assimetria de poder do ambiente de trabalho frequentemente inibe de forma natural.
Por que a regularidade é o ingrediente mais importante?
Amizade real se constrói por acumulação de tempo compartilhado, e grupos esportivos informais oferecem exatamente isso: encontros previsíveis, repetidos semana após semana ao longo de meses e anos. A regularidade produz história comum, referências compartilhadas e confiança que vai crescendo de forma gradual e sólida ao longo de cada partida realizada.
O Club Sênior de Voley, fundado por Alfredo Moreira Filho, funcionou por 25 anos com pelo menos dois encontros semanais, ritmo que gerou um volume de tempo compartilhado impossível de acumular em qualquer outro contexto social que não seja família próxima ou convivência de longa data no mesmo bairro.
Quando os filhos entram e a tradição se consolida
Um sinal claro de que um grupo esportivo evoluiu para algo mais profundo é quando os filhos dos membros originais começam a participar. No grupo de voleibol, os filhos dos sócios passaram a jogar as peladas junto com os titulares ao longo dos anos, ampliando o alcance afetivo para uma segunda geração de pessoas.
Vínculos desse tipo raramente se formam em ambientes corporativos, onde a vida pessoal dos colegas, incluindo filhos e família, permanece em segundo plano na maior parte das interações profissionais do dia a dia dentro da organização.
O que sobrevive quando o esporte acaba?
Quando a artrose encerrou as partidas e o clube foi dissolvido após 25 anos, as amizades permaneceram. A festa de encerramento celebrou não o fim de um jogo, mas o valor de um quarto de século de convivência genuína, evidência de que o esporte havia sido pretexto para algo muito maior do que qualquer partida de vôlei isoladamente.
Grupos esportivos informais bem-sucedidos, como o que Alfredo Moreira Filho coordenou por décadas no Lago Sul, revelam algo simples sobre como amizades duradouras se formam: não por conveniência ou proximidade geográfica, mas por escolha repetida de estar junto, semana após semana, ano após ano, independentemente de qualquer resultado profissional ou obrigação externa que force o encontro.

