O Bhutan foi reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) por eliminar a raiva humana transmitida por cães como problema de saúde pública. A validação foi anunciada em 4 de setembro de 2026 e colocou o país como o primeiro da Região do Sudeste Asiático da OMS a alcançar esse marco.
De acordo com a organização, o Bhutan não registra mortes humanas causadas pela transmissão da raiva por cães desde junho de 2023. O resultado foi obtido por meio de uma estratégia contínua que combinou medidas de saúde animal, atendimento às pessoas expostas e ações de conscientização sobre a prevenção da doença.
A raiva é uma zoonose que pode ser transmitida pela saliva de animais infectados, principalmente por mordidas e arranhões. Segundo a OMS, a doença pode ser prevenida quando a pessoa exposta recebe atendimento adequado e profilaxia pós-exposição antes do aparecimento dos sintomas.
OMS valida marco inédito no Sudeste Asiático
A validação internacional representa o reconhecimento de um conjunto de resultados, e não apenas da ausência recente de mortes. Para chegar ao marco, o Bhutan precisou demonstrar que mantinha ações de vigilância, prevenção e resposta capazes de interromper a transmissão humana associada aos cães.
A confirmação também ocorre em um contexto de meta global. A OMS trabalha com o objetivo de eliminar as mortes humanas por raiva transmitida por cães até 2030, o que torna a experiência do Bhutan uma referência para outros países que ainda enfrentam dificuldades no controle da doença.
Em reportagem publicada em 16 de setembro de 2026, a Organização Mundial da Saúde detalhou as medidas adotadas no país e destacou que a eliminação da transmissão exige integração entre os serviços responsáveis pela saúde das pessoas e dos animais.
Vacinação e controle populacional foram decisivos
Uma das principais ações do Bhutan foi a vacinação de mais de 90% dos cães em circulação. A cobertura elevada reduz a possibilidade de o vírus se espalhar entre os animais e diminui, consequentemente, o risco de exposição das comunidades. Campanhas regulares fazem parte desse esforço de prevenção.
O país também investiu em esterilização em larga escala, registro e microchipagem dos cães. Essas medidas ajudam a acompanhar a população animal, apoiar a identificação dos responsáveis e organizar ações públicas de vacinação e controle populacional. A proposta combina proteção dos animais com redução dos riscos sanitários.
Outro eixo foi a educação sobre guarda responsável. A orientação aos tutores e às comunidades contribui para que mordidas e arranhões sejam comunicados rapidamente, para que os animais sejam acompanhados e para que as pessoas saibam quando procurar atendimento médico.
Tratamento gratuito ajudou a reduzir o risco de mortes
O Bhutan também oferece gratuitamente a profilaxia pós-exposição para pessoas mordidas ou arranhadas. O atendimento inclui a avaliação do risco e as medidas necessárias para impedir que a infecção avance depois do contato com um animal suspeito.
A disponibilidade desse cuidado é especialmente importante porque a raiva pode ser fatal depois que os sinais clínicos aparecem. Por isso, a orientação da OMS é buscar atendimento imediatamente após uma mordida, arranhão ou contato com a saliva de um animal potencialmente infectado, além de lavar o ferimento com água e sabão.
O controle da doença, portanto, depende de duas frentes complementares: manter os cães protegidos por meio da vacinação e garantir que pessoas expostas tenham acesso rápido ao serviço de saúde. A experiência do Bhutan mostra como políticas voltadas aos animais podem produzir efeitos diretos na proteção da população.
Bhutan manterá vigilância para evitar a reintrodução da doença
A validação não significa o fim das campanhas. O Bhutan pretende continuar com a vacinação, a esterilização, o registro dos animais e o monitoramento de casos para impedir o retorno da transmissão. A vigilância é considerada necessária especialmente por causa do risco de reintrodução da doença em áreas próximas às fronteiras.
Em 15 de setembro de 2026, a Administração do distrito de Paro informou o início da terceira fase do programa nacional de controle populacional de cães e prevenção da raiva. A continuidade do programa indica que o país pretende preservar os resultados alcançados por meio de ações coordenadas nos municípios e nas comunidades.
O marco reconhecido pela OMS reforça que a prevenção da raiva depende de políticas públicas permanentes, participação dos tutores e atendimento rápido às pessoas expostas. Para cães e demais animais, vacinação, identificação e acompanhamento continuam sendo ferramentas essenciais para manter a doença sob controle.

